A
história da Igreja Presbiteriana do Brasil divide-se
em períodos bem definidos.
1. Implantação (1859-1869)
O surgimento do presbiterianismo no Brasil resultou do pioneirismo
e desprendimento do Rev. Ashbel Green Simonton (1833-1867).
Nascido em West Hanover, na Pensilvânia, Simonton estudou
no Colégio de Nova Jersey e inicialmente pensou em
ser professor ou advogado. Influenciado por um reavivamento
em 1855, fez a sua profissão de fé e, pouco
depois, ingressou no Seminário de Princeton. Um sermão
pregado por seu professor, o famoso teólogo Charles
Hodge, levou-o a considerar o trabalho missionário
no estrangeiro. Três anos depois, candidatou-se perante
a Junta de Missões da Igreja Presbiteriana dos Estados
Unidos, citando o Brasil como campo de sua preferência.
Dois meses após a sua ordenação, embarcou
para o Brasil, chegando ao Rio de Janeiro em 12 de agosto
de 1859, aos 26 anos de idade.
Em abril de 1860, Simonton dirigiu o seu primeiro culto em
português. Em janeiro de 1862, recebeu os primeiros
conversos, sendo fundada a Igreja Presbiteriana do Rio de
Janeiro. No breve período em que viveu no Brasil, Simonton,
auxiliado por alguns colegas, fundou o primeiro periódico
evangélico do país (Imprensa Evangélica,
1864), criou o Presbitério do Rio de Janeiro (1865)
e organizou um seminário (1867). O Rev. Ashbel Simonton
morreu vitimado pela febre amarela aos 34 anos, em 1867 (sua
esposa, Helen Murdoch, havia falecido três anos antes).
Os principais colaboradores de Simonton naquele período
foram seu cunhado Alexander L. Blackford, que em 1865 organizou
as Igrejas de São Paulo e Brotas; Francis J. C. Schneider,
que trabalhou entre os imigrantes alemães em Rio Claro,
lecionou no seminário do Rio e foi missionário
na Bahia; e George W. Chamberlain, grande evangelista e operoso
pastor da Igreja de São Paulo. Os quatro únicos
estudantes do "seminário primitivo" foram
eficientes pastores: Antonio Bandeira Trajano, Miguel Gonçalves
Torres, Modesto Perestrelo Barros de Carvalhosa e Antonio
Pedro de Cerqueira Leite.
Outras poucas igrejas organizadas no primeiro decênio
foram as de Lorena, Borda da Mata (Pouso Alegre) e Sorocaba.
O homem que mais contribuiu para a criação dessas
e outras igrejas foi o notável Rev. José Manoel
da Conceição (1822-1873), um ex-sacerdote católico
romano, que se tornou o primeiro brasileiro a ser ordenado
ministro do evangelho (1865). Conceição visitou
incansavelmente dezenas de vilas e cidades no interior de
São Paulo, Vale do Paraíba e sul de Minas, pregando
o evangelho da graça.
2.
Consolidação ( 1869- 1888 )
Simonton e seus companheiros eram todos da Igreja Presbiteriana
do norte dos Estados Unidos (PCUSA). Em 1869 chegaram os primeiros
missionários da igreja do sul (PCUS): George Nash Morton
e Edward Lane. Eles fixaram-se em Campinas, região
onde residiam muitas famílias norte-americanas que
vieram para o Brasil após a Guerra Civil em seu país
(1861-1865). Em 1870, Morton e Lane fundaram a igreja de Campinas
e, em 1873, o famoso, porém efêmero, Colégio
Internacional. Os missionários da PCUS evangelizaram
a região da Mogiana, o oeste de Minas, o Triângulo
Mineiro e o sul de Goiás. O pioneiro em várias
dessas regiões foi o incansável Rev. John Boyle,
falecido em 1892.
Os obreiros da PCUS foram também os pioneiros presbiterianos
no nordeste e norte do Brasil (de Alagoas até a Amazônia).
Os principais foram John Rockwell Smith, fundador da igreja
do Recife (1878); DeLacey Wardlaw, pioneiro em Fortaleza;
e o Dr. George W. Butler, o "médico amado"
de Pernambuco. O mais conhecido dentre os primeiros pastores
brasileiros do nordeste foi o Rev. Belmiro de Araújo
César, patriarca de uma grande família presbiteriana.
Enquanto isso, os missionários da Igreja do norte dos
Estados Unidos, auxiliados por novos colegas, davam continuidade
ao seu trabalho. Seus principais campos eram Bahia e Sergipe,
onde atuou, além de Schneider e Blackford, o Rev. John
Benjamin Kolb; Rio de Janeiro, que inaugurou seu templo em
1874, e Nova Friburgo, onde trabalhou o Rev. John M. Kyle;
Paraná, cujos pioneiros foram Robert Lenington e George
A. Landes; e especialmente São Paulo. Na capital paulista,
o casal Chamberlain fundou em 1870 a Escola Americana, que
mais tarde veio a ser o Mackenzie College, dirigido pelo educador
Horace Manley Lane. No interior da província, destacou-se
o Rev. João Fernandes Dagama, português da Ilha
da Madeira. No Rio Grande do Sul, trabalhou por algum tempo
o Rev. Emanuel Vanorden, um judeu holandês.
Entre os novos pastores "nacionais" desse período
estavam Eduardo Carlos Pereira, José Zacarias de Miranda,
Manuel Antônio de Menezes, Delfino dos Anjos Teixeira,
João Ribeiro de Carvalho Braga e Caetano Nogueira Júnior.
As duas igrejas norte-americanas também enviaram ao
Brasil algumas notáveis missionárias educadoras
como Mary Parker Dascomb, Elmira Kuhl, Nannie Henderson e
Charlotte Kemper.
3.
Dissensão (1888-1903)
Em setembro de 1888 foi organizado o Sínodo da Igreja
Presbiteriana do Brasil, que se tornou assim autônoma,
desligando-se das igrejas-mães norte-americanas. O
Sínodo compunha-se de três presbitérios
(Rio de Janeiro, Campinas-Oeste de Minas e Pernambuco) e tinha
vinte missionários, doze pastores nacionais e cerca
de sessenta igrejas. O primeiro moderador foi o veterano Rev.
Blackford. O Sínodo criou o Seminário Presbiteriano,
elegeu seus dois primeiros professores e dividiu o Presbitério
de Campinas e Oeste de Minas em dois: São Paulo e Minas.
Nesse período, a denominação expandiu-se
grandemente, com muitos novos missionários, pastores
brasileiros e igrejas locais. O seminário começou
a funcionar em Nova Friburgo, no final de 1892, e no início
de 1895 transferiu-se para São Paulo, tendo à
frente o Rev. John Rockwell Smith. O Mackenzie College ou
Colégio Protestante foi criado em 1891, sendo seu primeiro
presidente o Dr. Horace Manley Lane. Por causa da febre amarela,
o Colégio Internacional foi transferido de Campinas
para Lavras, e mais tarde veio a chamar-se Instituto Gammon,
numa homenagem ao seu grande líder, o Rev. Samuel R.
Gammon (1865-1928).
A primeira escola evangélica do nordeste foi o Colégio
Americano de Natal (1895), fundado por Katherine H. Porter,
esposa do Rev. William C. Porter. Na mesma época, a
cidade de Garanhuns começou a tornar-se um grande centro
da obra presbiteriana. Além do trabalho evangelístico,
foram lançadas as bases de duas importantes instituições
educacionais: o Colégio Quinze de Novembro e o Seminário
do Norte, hoje sediado em Recife. No final desse período,
além de estar presente em todos os estados do nordeste,
a Igreja Presbiteriana chegou ao Pará e ao Amazonas.
No sul, foi iniciada a obra presbiteriana em Santa Catarina
(São Francisco do Sul e Florianópolis). A igreja
também iniciou a sua marcha vitoriosa no leste de Minas.
O primeiro obreiro a residir em Alto Jequitibá foi
o Rev. Matatias Gomes dos Santos (1901). As igrejas de São
Paulo e do Rio de Janeiro passaram a ser pastoreadas por dois
grandes líderes, respectivamente Eduardo Carlos Pereira
(1888) e Álvaro Emídio G. dos Reis (1897).
Infelizmente, os progressos desse período foram em
parte ofuscados por uma grave crise que se abateu sobre a
vida da igreja. Inicialmente, surgiu uma diferença
de prioridades entre o Sínodo e a Junta de Missões
de Nova York. O Sínodo queria apoio para a obra evangelística
e para instalar o Seminário, ao passo que a Junta preferia
dar ênfase à obra educacional, principalmente
por meio do Mackenzie College. Paralelamente, surgiram desentendimentos
entre o pastor da Igreja Presbiteriana de São Paulo,
Rev. Eduardo Carlos Pereira, e os líderes do Mackenzie,
Horace M. Lane e William A. Waddell.
Com o passar do tempo, o Rev. Eduardo C. Pereira passou a
tornar-se mais radical em suas posições, perdendo
o apoio até mesmo de muitos dos seus colegas brasileiros.
Como uma alternativa ao jornal do Rev. Eduardo, O Estandarte,
o Rev. Álvaro Reis criou O Puritano em 1899. Em 1900
foi organizada a Igreja Presbiteriana Unida de São
Paulo, que resultou da fusão de duas igrejas formadas
por pessoas que haviam saído da igreja do Rev. Eduardo.
Na mesma época, um novo problema veio complicar ainda
mais a situação: o debate acerca da maçonaria.
Em março de 1902, Eduardo C. Pereira e seus partidários
começaram a divulgar a sua Plataforma, com cinco tópicos
sobre as questões missionária, educativa e maçônica.
Após pouco mais de um ano de debates acalorados, a
crise chegou ao seu lamentável desfecho, em 31 de julho
de 1903, durante a reunião do Sínodo. Após
serem derrotados em suas propostas, Eduardo Carlos Pereira
e seus colegas desligaram-se do Sínodo e formaram a
Igreja Presbiteriana Independente.
4.
Reconstituição (1903-1917)
No início de agosto de 1903, os independentes organizaram
o seu presbitério, com quinze presbíteros e
sete pastores (Eduardo C. Pereira, Caetano Nogueira Jr., Bento
Ferraz, Ernesto Luiz de Oliveira, Otoniel Mota, Alfredo Borges
Teixeira e Vicente Themudo Lessa). Seguiu-se um triste período
de divisões de comunidades, luta pela posse de propriedades,
litígios judiciais. Uma pastoral do Presbitério
Independente chegou a vedar aos sinodais a Ceia do Senhor.
O período mais conflitivo estendeu-se até 1906.
Nessa época, o Sínodo contava com 77 igrejas
e cerca de 6500 membros; em 1907, os independentes tinham
56 igrejas e 4200 comungantes.
O prédio do seminário, no bairro Higienópolis,
foi ocupado sem solenidade em setembro de 1899. Os principais
professores eram os Revs. John R. Smith e Erasmo Braga (este
a partir de 1901); o membro mais destacado da diretoria era
o Rev. Álvaro Reis. Em fevereiro de 1907, o seminário
foi transferido para Campinas, ocupando a antiga propriedade
do Colégio Internacional. A primeira turma de Campinas
só se formou em 1912. Entre os formandos estavam Tancredo
Costa, Herculano de Gouvêa Jr., Miguel Rizzo Jr. e Paschoal
Luiz Pitta. Mais tarde viriam Guilherme Kerr, Jorge T. Goulart,
Galdino Moreira e José Carlos Nogueira.
A obra presbiteriana crescia em muitos lugares. A primeira
cidade atingida no leste de Minas foi Alto Jequitibá
(Manhuaçu) e, no Espírito Santo, São
José do Calçado. Os primeiros pastores daqueles
campos foram Matatias Gomes dos Santos, Aníbal Nora,
Constâncio Omero Omegna e Samuel Barbosa. No Vale do
Ribeira, o dinâmico evangelista Willes Roberto Banks
continuava em atividade. A família Vassão daria
grandes contribuições à igreja.
Em 1907, o Sínodo dividiu-se em dois (Norte e Sul)
e em 1910 foi organizada a Assembléia Geral da Igreja
Presbiteriana do Brasil. O moderador do último sínodo
e instalador da Assembléia Geral foi o veterano Modesto
Carvalhosa, ordenado 40 anos antes. A Assembléia Geral
foi instalada na Igreja do Rio de Janeiro e o Rev. Álvaro
Reis foi eleito seu primeiro moderador. Os conciliares visitaram
a Ilha de Villegagnon para lembrar os mártires calvinistas
e comemorar o quarto centenário do nascimento de Calvino.
Na época, a Igreja Presbiteriana do Brasil tinha 10
mil membros comungantes, outro tanto de menores e cerca de
150 igrejas em sete presbitérios. As demais denominações
tinham os seguintes números ¬ metodistas: 6 mil
membros; independentes: 5 mil; batistas: 5 mil; e episcopais:
cerca de mil. Em 1911, a IPB enviou a Portugal seu primeiro
missionário, Rev. João da Mota Sobrinho, que
lá permaneceu até 1922.
Os missionários americanos continuavam em plena atividade.
Devido a divergências quanto ao lugar da educação
na obra missionária, a Missão Sul da PCUS dividiu-se
em duas: Missão Leste (Lavras) e Missão Oeste
(Campinas). O Rev. William Waddell fundou uma influente escola
em Ponte Nova, Bahia. Pierce, um filho de Chamberlain, trabalhou
na Bahia de 1899 a 1909. A obra presbiteriana no Mato Grosso
começou nesse período: os pioneiros foram os
missionários Franklin Graham (1913) e Filipe Landes
(1915).
Em 1917, foi aprovado o Modus Operandi, um acordo entre a
igreja brasileira e as missões norte-americanas, pelo
qual os missionários desligaram-se dos concílios
da IPB, separando-se os campos nacionais (presbitérios)
dos campos das missões. Em 1924, a Assembléia
Geral reuniu-se pela primeira sem qualquer missionário
como delegado de presbitério.
5.
Cooperação (1917-1932)
O maior líder presbiteriano desse período foi
o Rev. Erasmo de Carvalho Braga (1877-1932), professor do
Seminário e secretário da Assembléia
Geral. Em 1916, participou com dois colegas do Congresso de
Ação Cristã na América Latina,
no Panamá. Poucos anos depois, tornou-se o dinâmico
secretário da Comissão Brasileira de Cooperação,
entidade que liderou um grande esforço cooperativo
entre as igrejas evangélicas do Brasil na década
de 1920. As principais áreas de cooperação
foram literatura, educação cristã e educação
teológica. Foi fundado no Rio de Janeiro o Seminário
Unido, que existiu até 1932.
Outros esforços cooperativos desse período foram:
(1) Instituto José Manoel da Conceição,
fundado pelo Rev. William A. Waddell na cidade de Jandira,
na Grande São Paulo (1928); objetivava preparar os
jovens que depois seguiriam para o seminário. (2) Associação
Evangélica de Catequese dos Índios (1928), depois
Missão Evangélica Caiuá: idealizada pelo
Rev. Albert S. Maxwell e instalada em Dourados, Mato Grosso,
num esforço cooperativo das igrejas presbiteriana,
independente, metodista e episcopal.
O Seminário de Campinas correu o risco de ser extinto
por causa do Seminário Unido, mas finalmente superou
a crise. Em 1921, o Seminário do Norte foi transferido
para o Recife. As principais instituições educacionais
das missões eram o Colégio Agnes Erskine, em
Recife; Colégio 15 de Novembro (Garanhuns); Escola
de Ponte Nova (Bahia); Colégio 2 de Julho (Salvador);
Instituto Gammon (Lavras); Instituto Cristão (Castro)
e principalmente o Mackenzie College. Os principais periódicos
presbiterianos eram O Puritano e o Norte Evangélico.
Em 1924, a Assembléia Geral encerrou o trabalho missionário
em Lisboa. No mesmo ano, Erasmo Braga e alguns amigos fundaram
a Sociedade Missionária Brasileira de Evangelização
em Portugal, que enviou àquele país o Rev. Paschoal
Luiz Pitta e sua esposa Odete. O casal ali esteve por quinze
anos (1925-1940), regressando ao Brasil devido à constante
falta de recursos.
Em 1921, morreu o Rev. Antonio Bandeira Trajano. Com ele desapareceu
a primeira geração de obreiros presbiterianos
no Brasil, os da década de 1860. Outros obreiros falecidos
nesse período foram: Eduardo Carlos Pereira (1923),
Álvaro Reis (1925), Carlota Kemper (1927), Samuel Gammon
(1928) e Erasmo Braga (1932). Além do seu trabalho
na área religiosa, vários dos pioneiros presbiterianos
deram valiosa contribuição de ordem intelectual
e literária. Alguns autores e os livros que os celebrizaram
são os seguintes: Modesto Carvalhosa (Escrituração
Mercantil), Antonio Trajano (Álgebra Elementar), Eduardo
C. Pereira (Gramática Expositiva), Otoniel Motta (O
Meu Idioma) e Erasmo Braga (Série Braga).
6.
Organização (1932 - 1952 )
Nas décadas de 1930 a 1950, a IPB continuou a crescer
e a aperfeiçoar a sua estrutura, criando entidades
voltadas para o trabalho feminino, mocidade, missões
nacionais e estrangeiras, literatura e ação
social. O período terminou com a comemoração
do centenário do presbiterianismo no Brasil.
Nessa época, a igreja era constituída dos seguintes
sínodos: (1) Setentrional: estendia-se de Alagoas até
a Amazônia, estando o maior número de igrejas
no Estado de Pernambuco; (2) Bahia-Sergipe: criado em 1950,
quando o Presbitério Bahia-Sergipe, antigo campo da
Missão Central, dividiu-se nos presbitérios
de Salvador, Campo Formoso e Itabuna; (3) Minas-Espírito
Santo: surgiu em 1946, abrangendo o leste de Minas e o Espírito
Santo, a região de maior crescimento da igreja; (4)
Central: formado em 1928, incluía o Estado do Rio de
Janeiro, bem como o sul e o oeste de Minas Gerais; (5) Meridional:
sínodo histórico (1910-47), abrangia São
Paulo, Paraná e Santa Catarina; (6) Oeste do Brasil:
foi formado em 1947, abrangendo todo o norte e oeste de São
Paulo. No final da década de 50, foram entregues pelas
missões os Presbitérios do Triângulo Mineiro,
Goiás e Cuiabá.
Nesse período, as missões norte-americanas continuaram
o seu trabalho: (1) PCUS: (a) Missão Norte: atuou no
nordeste, onde o principal obreiro foi o Rev. William Calvin
Porter (†1939); o campo mais importante era o de Garanhuns,
onde estavam o Colégio 15 de Novembro e o jornal Norte
Evangélico; (b) Missão Leste: atuou no oeste
de Minas e depois em Dourados, Mato Grosso, cuja igreja foi
organizada em 1951. (c) Missão Oeste: concentrou-se
mais no Triângulo Mineiro, onde o casal Edward e Mary
Lane fundou em 1933 o Instituto Bíblico de Patrocínio.
(2) PCUSA: (a) Missão Central: seus principais campos
eram Ponte Nova/Itacira, a bacia do Rio São Francisco,
o sul da Bahia e o norte de Minas.; (b) Missão Sul:
atuou no Paraná e Santa Catariana, fundindo-se com
a Missão Central por volta de 1937. O Rev. Filipe Landes
foi grande evangelista no Mato Grosso (norte e sul). Em Rio
Verde, Goiás, atuou o Rev. Dr. Donald Gordon, que fundou
um importante hospital.
Trabalho feminino: as primeiras sociedades de senhoras surgiram
em 1884-85 e as primeiras federações, na década
de 1920. Os primeiros secretários gerais do trabalho
feminino foram o Rev. Jorge T. Goulart e as sras. Genoveva
Marchant, Blanche Lício, Cecília Siqueira e
Nady Werner. O primeiro congresso nacional reuniu-se na I.
P. Riachuelo, no Rio de Janeiro, em 1941; o segundo congresso
realizou-se também no Rio em 1954. A SAF em Revista
foi criada em 1954.
7.
Mocidade: algumas entidades precursoras foram a Associação
Cristã de Moços (Myron Clark), o Esforço
Cristão (Clara Hough) e a União Cristã
de Estudantes do Brasil (Eduardo P. Magalhães). Benjamim
Moraes Filho foi o primeiro secretário do trabalho
da mocidade, em 1938. O primeiro congresso nacional reuniu-se
em Jacarepaguá em 1946, quando foi criada a confederação.
Entre os líderes da época estavam Francisco
Alves, Jorge César Mota, Paulo César, Waldo
César, Tércio Emerique, Gutemberg de Campos,
Paulo Rizzo e Billy Gammon.
Missões
Nacionais: em 1940 foi organizada na I. P. Unida a Junta Mista
de Missões Nacionais, com representantes da IPB e das
missões norte-americanas. Entre os primeiros líderes
estavam Coriolano de Assunção, Guilherme Kerr,
Filipe Landes, Eduardo Lane, José Carlos Nogueira e
Wilson N. Lício. Até 1958, a Junta ocupou quinze
regiões em todo o Brasil, com cerca de 150 locais de
pregação. Em 1950 foi criada a Missão
Presbiteriana da Amazônia.
Missão
em Portugal: os primeiros obreiros foram João da Mota
Sobrinho (1911-1922) e Paschoal Luiz Pitta (1925-1940). Em
1944 a IPB assumiu o trabalho e foi criada a Junta de Missões
Estrangeiras, com o apoio das igrejas norte-americanas. Os
primeiros missionários foram Natanael Emerique, Aureliano
Lino Pires, Natanael Beuttenmuller e Teófilo Carnier.
Outras
organizações: (a) Casa Editora: começou
a ser organizada em 1945, no início da Campanha do
Centenário, sob a liderança do Rev. Boanerges
Ribeiro. A primeira sede foi instalada em dependências
cedidas pela I. P. Unida, na Rua Helvétia. (b) Orfanatos:
em 1910, a Assembléia Geral planejou um orfanato para
Lavras; em 1919, passou a funcionar em Valença, e em
1929 veio a ocupar uma propriedade da I. P. de Copacabana
em Jacarepaguá. O orfanato foi denominado Instituto
Álvaro Reis. (c) Conselho Interpresbiteriano (CIP):
foi criado em 1955 para superintender as relações
da IPB com as missões e as juntas missionárias
dos Estados Unidos. Tinha mais autoridade que o modus operandi
de 1917.
Outras
igrejas: (a) Igreja Presbiteriana Independente: em 1957, foi
criado o Supremo Concílio, com três sínodos,
dez presbitérios, 189 igrejas, 105 pastores e cerca
de 30 mil membros comungantes; O Estandarte continuou a ser
o jornal oficial. No final dos anos 30 houve um conflito teológico.
Em 1942, um grupo de intelectuais liberais (entre os quais
o Rev. Eduardo P. Magalhães) retirou-se da IPI e formou
a Igreja Cristã de São Paulo. (b) Igreja Presbiteriana
Conservadora: foi fundada em 1940 pelos membros da Liga Conservadora
da IPI. Em 1957, contava com mais de vinte igrejas em quatro
estados e tinha um seminário. Seu órgão
oficial é O Presbiteriano Conservador. (c) Igreja Presbiteriana
Fundamentalista: foi fundada em 1956 pelo Rev. Israel Gueiros,
pastor da 1.ª I. P. de Recife e ligado ao Concílio
Internacional de Igrejas Cristãs (do líder fundamentalista
norte-americano Carl McIntire).
Neste
período, a IPB participou de vários movimentos
cooperativos: Associação Evangélica Beneficente
(fundada por Otoniel Mota em 1928), Associação
Cristã de Beneficência Ebenézer (dirigida
pelo Dr. Benjamin Hunnicutt), Missão Evangélica
Caiuá, Instituto José Manoel da Conceição,
Confederação Evangélica do Brasil (fundada
em 1934), Sociedade Bíblica do Brasil, Centro Áudio-Visual
Evangélico (CAVE, fundado em 1951) e Universidade Mackenzie,
que seria transferida à IPB no início dos anos
60.
Constituição
da IPB: em 1924, foram aprovadas pequenas modificações
no antigo Livro de Ordem adotado quando da criação
do Sínodo, em 1888. Em 1937, entrou em vigor a nova
Constituição da Igreja (os independentes haviam
aprovado a sua três anos antes), sendo criado o Supremo
Concílio. Houve protestos do norte contra alguns pontos:
diaconato para ambos os sexos, "confirmação"
em vez de "profissão de fé" e o nome
"Igreja Cristã Presbiteriana." Em 1950, foi
promulgada um nova Constituição e no ano seguinte
o Código de Disciplina e os Princípios de Liturgia.
Estatística:
em 1957, a IPB contava com seis sínodos, 41 presbitérios,
489 igrejas, 883 congregações, 369 ministros,
127 candidatos ao ministério, 89.741 membros comungantes
e 71.650 não-comungantes. Os primeiros presidentes
do Supremo Concílio foram os Revs. Guilherme Kerr,
José Carlos Nogueira, Natanael Cortez, Benjamim Moraes
Filho e José Borges dos Santos Júnior.
A
Campanha do Centenário foi lançada em 1946,
tendo como objetivos: avivamento espiritual, expansão
numérica, consolidação das instituições
da igreja, afirmação da fé reformada
e homenagem aos pioneiros. A Comissão Central do Centenário,
organizada em 1948, enfrentou muitas dificuldades. Após
1950, a campanha ganhou ímpeto. A Comissão Unida
do Centenário (IPB, IPI e Igreja Reformada Húngara)
planejou uma grande campanha evangelística com a participação
de Edwyn Orr e William Dunlap, que se estendeu por todo o
país em 1952. Outras medidas foram a criação
do Museu Presbiteriano, do Seminário do Centenário
e do jornal Brasil Presbiteriano, resultante da fusão
de O Puritano e Norte Evangélico (1958). A 18.ª
Assembléia da Aliança Presbiteriana Mundial
reuniu-se em São Paulo de 27 de julho a 6 de agosto
de 1959. O lema do centenário foi: "Um ano de
gratidão por um século de bênçãos."